02/03/2009 Revista Valor Investe publica matéria sobre networking
Valor Investe é a revista publicada pelo Jornal Valor Econômico. Mensalmente traz matérias de interesse para o investidor e executivo. E espelha o dinamismo do mercado brasileiro de aplicações financeiras, com informações diferenciadas e especializadas que são estratégicas para o universo de 500 mil investidores potenciais que existem no Brasil.
Na edição de Março 2009, a revista publica matéria sobre networking com participação do prof. Marcelo Miyashita. Na matéria, o consultor líder da Miyashita Consulting comenta: “Conhecer pessoas, todos conhecem...A questão é saber organizar, cadastrar e classificar os contatos – caso contrário, você não terá uma rede, mas um bolo de cartões em um canto da gaveta".
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Carreiras
Rede de oportunidades Crise econômica pode ser um bom motivo para iniciar um networking
Por Rafael Sigollo
No mundo corporativo, uma boa rede de contatos é tão ou até mais importante para a carreira do que um currículo repleto de cursos em instituições renomadas. O profissional que sabe como usar o chamado networking de forma eficiente quase sempre consegue melhores ofertas e colocações em relação aos “desconectados”, até mesmo quando estes são mais bem qualificados para ocupar uma determinada vaga. Cuidar dos relacionamentos profissionais numa época de crise, no entanto, é essencial também para quem está empregado, pois a insegurança dos executivos tem crescido tanto em relação a atitudes e estratégias quanto à estabilidade no cargo. Isso tem causado, inclusive, um aumento na procura por grupos especializados nesse tipo de atividade.
Grupo Renaissance Executive Forums: destinados exclusivamente a CEOs, encontro permite falar não só de estratégias, mas também sobre questões pessoais
Para se ter uma idéia da importância do networking, o professor de liderança e gestão de pessoas José Valério Macucci, do Ibmec São Paulo, afirma que mais de 70% das oportunidades de trabalho surgem a partir de contatos tanto pessoais como profissionais, especialmente em cargos de nível executivo. Manter bons relacionamentos a ponto de ser lembrado e de receber uma indicação, porém, não é tarefa das mais simples. “Para ter valor, uma rede deve ser construída ao longo de toda a vida profissional com base no respeito e na ética. Usufruir dela de maneira proveitosa dependerá não só de como é a sua postura, mas também de como essas pessoas o percebem”, afirma Macucci.
O consultor de carreira José Augusto Minarelli, presidente da Lens & Minarelli e autor de um livro sobre networking, afirma que é comum vermos profissionais em transição pedirem ajuda aos conhecidos, colocando-os em uma situação pouco confortável. “Ainda que haja boa vontade, ninguém tem tempo ou obrigação de empreender a busca que cabe ao outro”, afirma. De acordo com ele, a regra para abordar um contato é simples: “Quando estiver procurando um novo trabalho, peça qualquer coisa a seu interlocutor, exceto emprego ou que ele trabalhe por você”.
A técnica sugerida por Minarelli foi batizada por ele de “COISA”, que significa respectivamente Conselhos, Orientações, Informações, Sugestões e Apresentação. Para ele, seguindo nessa linha, o profissional consegue uma resposta imediata e sincera, pois está reconhecendo o valor da pessoa consultada e esta sentirá prazer em ajudar com o que tiver de melhor no momento. “Passando pelas quatro primeiras letras do acróstico, você cria um ambiente favorável para que a última etapa do processo se concretize, ou seja, haja uma aproximação com algum elo da rede de relacionamento do seu contato”, afirma. “Não se esqueça de dar retorno à fonte deixando-a ciente de como a ajuda fornecida lhe foi útil e nunca perca de vista que a reciprocidade é o princípio fundamental do networking”, completa.
Segundo o professor Marcelo Miyashita, especialista em networking e há dez anos à frente da Miyashita Consulting, a grande maioria das pessoas, porém, não usa sua rede de maneira adequada e só se lembra de acioná-la quando está fora do mercado. “O grande mote não é ser ajudado a conseguir um emprego, mas melhorar seu trabalho. É receber indicações de novos clientes, de negócios e de parceiros”, diz. Para ele, os contatos devem ser intensificados quando se está empregado, pois o executivo tem a empresa e todo o universo que a rodeia à sua disposição.
“Conhecer pessoas, todos conhecem”, afirma o especialista. A questão, segundo ele, é saber organizar, cadastrar e classificar os contatos – caso contrário, você não terá uma rede, mas “um bolo de cartões em um canto da gaveta”. Miyashita diz que a manutenção do networking exige tempo, mas não é preciso ser próximo de todos. “As indicações costumam vir de pessoas que conhecemos, mas que não temos amizade de fato”. Isso acontece porque os conhecidos, além de serem em maior número, freqüentam mundos diferentes do seu e de seus amigos, ampliando assim o leque de oportunidades que poderão surgir.
No Vistage, discutem-se os mais variados temas e reuniões acabam funcionando como uma espécie de conselho consultivo
Reconhecer e inserir uma pessoa na sua rede, porém, não garante que você seja incluído na dela. “Mostrando-se relevante e útil, certamente você será lembrado e indicado para eventuais oportunidades”, afirma. O próprio Macucci conta que faz isso regularmente, até mesmo com simples atitudes. “Se leio um artigo e acho interessante, por exemplo, envio para cinco ou seis pessoas que eu sei que também podem achar”.
Compartilhar conhecimento e produzir material de interesse comum é essencial para um bom networking, especialmente quando se está fora do mercado. Nesse sentido, Miyashita diz que criar um blog pode ser uma boa alternativa para conhecer pessoas da área onde atua e ficar conhecido nela, além de continuar, de certa forma, ativo no mercado.
A Internet, inclusive, tem mudado a maneira de se fazer networking, com sites e softwares desenvolvidos especialmente com essa finalidade. Sidney Fabiani, diretor-presidente da Gemelo, especializada em armazenamento de informações, admite que “não viveria” hoje sem ferramentas como o LinkedIn, Plaxo e até Orkut. “Um executivo precisa ser facilmente encontrado. Eu não fico entrando o tempo todo nos sites, mas meus dados estão ali para clientes e futuros parceiros conseguirem me acionar”, afirma o executivo, que também é sócio majoritário de outras duas companhias de TI.
Empresário experiente, Fabiani sabe, porém, que a Internet por si só não é suficiente para manter a boa relação com sua rede. Ele acredita que em muitos casos um e-mail não substitui um telefonema e, sempre que possível, faz questão de ter um contato mais próximo com quem julga necessário. Tanto é que há dois anos criou seu próprio grupo de networking, o “Non Business Meeting”. A cada dois meses, convida entre 50 a 70 executivos da área de tecnologia para, como o nome entrega, “não falar de negócios”, mas fazer degustações e passar momentos descontraídos. “Não tem power point, ninguém entrega folder nem tenta vender nada. O objetivo é bater papo, melhorar o relacionamento e aproximar as pessoas”, garante.
Isso, é claro, acaba rendendo parcerias e negócios, mas em conseqüência dessa aproximação informal. “Posteriormente, quando entram em contato uns com os outros representando suas companhias, o tratamento entre esses executivos já é diferente. E minha empresa, mesmo quando não está envolvida no negócio, acaba sendo lembrada por ter proporcionado esse networking”, conta Fabiani.
Outros grupos, com caráter mais “profissional”, também fazem sucesso entre executivos do alto escalão. Alguns, inclusive, são destinados exclusivamente a CEOs e cobram mensalidade dos participantes – que pode variar de R$ 2,3 mil a R$ 3 mil, geralmente bancada pelas companhias. Um exemplo é o Reinassance Executive Forums, com sede nos Estados Unidos e que chegou ao Brasil em 2001 por meio do empresário André Kauffman. Atualmente, são cerca de 70 sócios e todos precisaram passar por um rigoroso processo de admissão. “Não aceitamos parentes, conhecidos, clientes, nem concorrentes de outros sócios”, explica. Um facilitador coordena as reuniões mensais com cada subgrupo, que conta em média com 12 CEOs, nos quais são debatidas as principais questões que afligem esses profissionais – e que às vezes nada tem a ver com o mundo corporativo. “O presidente de uma empresa geralmente é uma pessoa solitária. Aqui ele tem a oportunidade de se expor, de falar sobre questões estratégicas e pessoais com outros do mesmo nível e com total confidencialidade”, diz Kauffman. “É muito enriquecedor poder conhecer, sem nenhum interesse comercial, a visão e a opinião de outros que também estão no topo de suas companhias”.
Na mesma linha está o Vistage, que também tem sede nos Estados Unidos, onde já existe há mais de 50 anos. Antonio Cortese, sócio do grupo no Brasil, afirma que hoje são 16 subgrupos com cerca de dez CEOs cada no país. “A alta capacitação e formação dos membros dão margem para discussões das mais variadas, além de funcionar como uma espécie de conselho consultivo”, explica. Ele conta que decidiu trazer o Vistage para o Brasil devido às dificuldades que passou em sua época de executivo. “Lembro-me de quando dirigia uma companhia durante o Plano Cruzado e precisava de opiniões, queria discutir determinados assuntos e estratégias com outros na mesma situação que a minha e não conseguia”.
O próprio Macucci, do Ibmec São Paulo, tem seu grupo de networking. Ele o considera uma espécie de “confraria”, pelo tom mais informal das reuniões. A cada três meses, em média, ele se encontra com sete amigos, todos em cargos de diretoria. “Somos todos ex-colegas de trabalho e nutrimos uma confiança mútua. Falamos sobre desafios profissionais, trocamos idéias e opiniões”, afirma. Para Miyashita, quem faz networking sabe o seu valor e tem cartas na manga para negociar. “Você deixa de ser um funcionário da empresa e passa a ser um profissional do mercado”.
Conhecimento: Dados de cliente só são úteis quando os utilizamos para gerar informação e conhecimento. A questão não é que dados captar, mas o que fazer com eles.
Caro Marcelo Miyashita!!! Quero parabeniza-lo pelos seus artigos, palestras e entrevista que tenho lido no seu site e que com as vossas idéias tenho me identificado. Tenho um blog na Internet, onde no qual desenvolvo temas relacionados principalmente com vida profissional e o endereço é : jl.miranda.zip.net, visita-me.